‘Festival Eurovisão da Canção’

Ando um pouco monotemático, eu sei, mas é que o cinema realmente tem sido uma das melhores companhias durante a quarentena. Ainda mais porque, como ressaltei recentemente aqui, estão chegando às plataformas de streaming os filmes mais cotados para a temporada de premiações do cinema americano. O Globo de Ouro e o Sindicato dos Atores de Hollywood (SAG), por exemplo, já anunciaram seus indicados e já pipocam (pescaram o trocadilho?) as previsões para o Oscar, que este ano vai ser no final de abril.

Não sei explicar a razão, mas paira no inconsciente coletivo hollywoodiano a máxima de que filme bom tem que ser dramático. Basta passar o olho entre os indicados em anos anteriores para confirmar que as comédias raramente têm vez. A exceção é o Globo de Ouro, que divide o prêmio máximo em duas categorias: uma para os dramas e outra para comédias ou musicais. Tendo a ser contra a divisão por achar que filme bom é filme bom e ponto, independentemente de a que gênero ele pertença. Por outro lado, é positivo saber que há boas produções cômicas.

No fim da tarde de um domingo recente, procurava o que assistir para passar o tempo. Buscando por algo mais leve, acabei topando com ‘Festival Eurovisão da Canção: a saga de Sigrit e Lars’, disponível desde junho no catálogo da Netflix e que aparece como possível concorrente ao Oscar nas categorias de maquiagem, som e canção original (‘Húsavik’). O filme conta a história de uma dupla de islandeses, vivida por Will Ferrell e Rachel McAdams, que sonham participar do Eurovisão, competição musical que reúne representantes de países da Europa e de Israel.

Obviamente, eles não são lá muito bons. E, sim também, tudo termina exatamente da forma como você está pensando. Não é preciso contar nada além da sinopse para que o espectador deduza o restante. O fato de ser previsível torna um filme ruim? Não, desde que a história seja bem conduzida. Infelizmente, não é o caso de ‘Festival Eurovisão da Canção’. Praticamente nada é crível, os personagens são muito estereotipados e a grande maioria das piadas simplesmente não funciona ou causa algum nível de constrangimento. Nem mesmo os musicais se salvam. E olha que o diretor David Dobkin tem relativa experiência com videoclipes. Era melhor ter apostado em um drama…

Foto: Netflix/divulgação