‘Minha mãe é uma peça 3’

Poucos atores na atualidade são garantia de sucesso no cinema. Um dos principais nomes a figurar nesta seleta lista é Paulo Gustavo, que chega às telas novamente à frente da personagem que o consagrou: dona Hermínia. Agora, ela terá de lidar com a síndrome do ninho vazio, já que Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier) deixaram a casa da mãe para formar suas próprias famílias. Além de sogra, a moradora mais famosa de Niterói descobre ainda que vai ser avó novamente.

O roteiro de ‘Minha mãe é uma peça 3’ – assinado por Paulo Gustavo, Fil Braz e Susana Garcia, que também dirige a produção – segue o modelo dos dois episódios anteriores: sem um arco dramático bem definido (com princípio, meio e fim), as cenas funcionam como esquetes de programa de humor. Um exemplo é a sequência em Los Angeles, que nada agrega à trama. Por outro lado, ficou de fora qualquer relação com as duas primeiras empreitadas; não se explica o que aconteceu com o programa que dona Hermínia passou a apresentar no segundo filme.

As histórias giram em torno de temas domésticos com os quais todos nós estamos familiarizados em alguma medida e, por isso, o espectador é rapidamente capturado e se identifica com muitas situações retratadas, como as brigas entre as irmãs e a ceia de Natal. Mas o enredo diluído em muitas possibilidades não desenvolvidas (fala-se sobre casamento gay, gravidez acidental e envelhecimento sem grande profundidade em nenhum dos assuntos) privilegia o riso e evita a emoção.

Ainda que tenha bons atores no elenco, como Herson Capri e Alexandra Richter, todos os holofotes se voltam para Paulo Gustavo. Presente em todas as cenas e com domínio absoluto da carismática, verborrágica e desbocada personagem principal, ele dispara com eficiência uma metralhadora de piadas e faz ‘Minha mãe é uma peça 3’ entregar ao público justamente o que promete: boas risadas.

Foto: Marco Antônio Teixeira/Divulgação