Quarentena

Aparentemente fácil, manter o isolamento em casa por tempo ainda indeterminado vai exigir de nós muita disciplina, força mental e esperança em dias melhores.

Fique em casa. Na semana em que a doença provocada pelo novo coronavírus leva à morte suas primeiras vítimas no Brasil, a orientação das autoridades públicas – e não só as de saúde – não poderia ser mais clara. Parece simples deixar de ir à rua, exceto para atividades essenciais, como trabalhar (desde que a profissão exercida seja extremamente necessária ao funcionamento mínimo do país), ir ao médico (se os sintomas forem realmente severos) ou comprar um produto imprescindível que tenha acabado. Tudo o mais é supérfluo e a recomendação é apenas uma: evite sair.

Ser obrigado a ficar em casa parece fácil. No início, dá para pensar em uma série de coisas que sempre adiamos fazer por preguiça ou falta de tempo, como arrumar um armário ou uma gaveta. Também podem ser somados a esta lista ver filmes e séries ou ler aquele livro já comprado há tanto tempo e que não passamos nem da capa. Trocar a terra das plantas, organizar a despensa, limpar a geladeira, engraxar sapatos, limpar as janelas mais altas… São tantas as pendências que a impressão que temos é que vai faltar até tempo para cumpri-las.

Na teoria, tudo se resolve facilmente. Na prática, não é bem assim. Uma frase que ganhou bastante popularidade nas redes sociais resume bem o momento que vivemos: quarentena não é férias. O isolamento social exige não só disciplina, mas também muito preparo mental. Ficar em casa por opção, como se estivéssemos de férias, é uma coisa; por necessidade, é outra, completamente diferente. Perder ou ter restringida a liberdade de decidir quando ficar ou quando sair gera angústia.

Por quanto tempo deveremos ficar isolados? Esta é uma pergunta para a qual nenhum especialista arrisca uma resposta categórica. Tudo vai depender da nossa capacidade de nos mantermos em casa pelo tempo que for necessário. E o que as autoridades dizem é que isso pode levar meses. A única certeza que se tem, no momento, é que o coronavírus ainda fará novas vítimas e exigirá serenidade de nós. Precisamos manter a calma e a força. Está tudo bem se, algumas vezes, nós sentirmos medo. Só não podemos deixar que ele seja maior do que a esperança de que dias melhores virão.

Foto: Mauro Pimentel/AFP

Um exercício de cidadania

Seguir as recomendações das autoridades de saúde para conter o avanço do novo coronavírus é mais do que prevenção, é um teste de humanidade e empatia.

Lavar as mãos, evitar tocar o rosto, usar a dobra do cotovelo para cobrir tosse ou espirro, evitar aglomerações, não compartilhar objetos pessoais… As orientações para conter o avanço do novo coronavírus são simples e são compartilhadas em muito lugares, de autoridades de saúde a veículo de comunicação, de informes empresariais a grupos de WhatsApp.

É quase impossível acreditar que há quem não saiba como se proteger. Ainda assim, é enorme o número de pessoas que negligenciam as orientações. Não falo daqueles que por ventura as esquecem e cobrem a tosse com a mão ou que coçam os olhos. A chamada etiqueta respiratória é um hábito que poucos de nós tínhamos e que vamos nos acostumar a usar com o tempo. Falo daqueles cuja negligência é deliberada, como, por exemplo, os que lotaram as praias no último fim de semana.

Como a doença provocada pela contaminação pelo novo coronavírus é semelhante a uma gripe, muita gente se acha no direito de ignorar as recomendações. Afinal, convivemos há muitos anos com gripes e as consequências mais graves da nova doença, que pode levar à morte, atingem um contingente reduzido de pacientes, sobretudo idosos, quem tem problemas respiratórios ou baixa imunidade.

Por mais que muitas pessoas infectadas não apresentem sintomas ou desenvolvam uma forma branda da doença, é preciso pensar fundamentalmente nos grupos de risco. Indivíduos jovens e saudáveis, menos propensos a complicações, precisam ter – mais do que nunca – empatia. Devemos nos proteger não apenas por nós, mas por todos aqueles que podem ser mais duramente atingidos. O novo coronavírus é um desafio para autoridades de saúde do mundo. Para nós, é um exercício de solidariedade.

Foto: CDC/divulgação

Dia internacional da mulher

O caminho a ser percorrido em direção à igualdade de gênero ainda é longo, mas não há dúvidas de que as mulheres – sempre resilientes – chegarão lá.

Nasci em uma família de mulheres fortes. Minhas duas avós são nordestinas que, como tantas outras de suas gerações, vieram ao Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades. Minha avó materna chegou de Sergipe ainda antes de atingir a maioridade, seguindo os passos de irmãos mais velhos, para trabalhar. A outra, mãe de meu pai, veio de Pernambuco. Na então capital federal, apesar de todas as dificuldades que enfrentaram, construíram suas vidas, se casaram e formaram suas famílias. Foram, acima de tudo, resilientes.

Aliás, não pode ser mera obra do acaso que resiliência seja um substantivo feminino. É invejável a rapidez com que as mulheres conseguem se adaptar às mudanças, recobrar sua força original e ocupar novos espaços. E diariamente elas dão prova dessa capacidade, muitas vezes forçadas por uma sociedade que ainda hoje, apesar dos avanços, é machista e misógina, que tenta lhes negar direitos fundamentais e lhes impor como pensar ou agir.

Ainda falta um longo caminho a ser percorrido na luta por igualdade de gênero, que será pavimentado por gerações de mulheres que não têm nenhuma dúvida sobre onde querem chegar e o que querem conquistar. Se, na época, cada uma de minhas avós lutava por sua própria história, hoje, suas netas sabem que a batalha é coletiva, que juntas são mais fortes e que os resultados alcançados vão ser partilhados por todas.

Neste dia internacional da mulher, presto minha homenagem e reafirmo a minha eterna gratidão às mulheres que contribuíram, cada uma a seu jeito, para a minha formação: avós, mãe, tias, primas, amigas, professoras, chefes, colegas de trabalho. E deixo também aqui todo o meu respeito, apoio e solidariedade a todas aquelas que lutam por igualdade. O mundo vai ser melhor para todos nós quando vocês chegarem onde querem e sabem que vão chegar.

Foto: “Mulher no espelho” (1950), de Zélia Salgado

Os gatos

Diante de uma janela azul na qual seis gatos se revezam para agradáveis e fortuitos banhos de sol, adquiri um novo hábito: espiá-los sempre que possível.

Espiar a janela do vizinho virou um hábito. Explico, antes que pensem que sou fofoqueiro. As paredes do quarto e da sala dão para uma casa (ou prédio, não sei dizer ao certo) com uma grande janela pintada de azul. Mas não é a cor forte o que mais chama a atenção; desfilam por ali pelo menos seis gatos. Três são monocromáticos: um preto, outro branco e o terceiro – e mais bonito de todos – inteiramente cinza, com olhos impressionantemente verdes, perceptíveis mesmo à distância. Os outros já contabilizados têm mais de uma cor: um tigrado de cinza, outro alaranjado (com a barriga e as patas brancas) e ainda um tricolor (preto, branco e amarelo).

A admiração por gatos vem de família. Minha vó sempre os teve em casa e minha mãe, embora não tenha nenhum para chamar de seu (“para não arranhar meu sofá”, diz), se diverte com os dos outros. Certamente, ela fica bem mais feliz com os bichanos do que o contrário, porque brinca com eles e os acaricia para além de suas vontades felinas, não importando que tentem arranhá-la ou mordê-la.

O melhor exemplo é Sarita, uma gata arisca que minha avó teve. Odiava as crianças que eu e meus primos éramos à época. Tampouco gostava de muito chamego. Porém, tinha uma imensa e felpuda barriga, uma irresistível atração para as mãos. Era minha mãe quem a pegava e segurava suas patas para que todos apertássemos aquela deliciosa pança. Não por acaso, Sarita sempre fugia para o fundo de um armário ou para baixo da cama ao menor sinal de nossa chegada.

Nunca tive qualquer contato – a não ser visual – com os gatos do vizinho, nem mesmo sei por onde se entra naquela casa. Alheios à minha presença na esmagadora maioria das vezes, eles ficam lá em sua janela, pegando sol quando há, quase sempre lambendo seus próprios pelos e perseguindo com os olhos os pombos que passam voando. Às vezes, respondem a um assobio meu com olhar de desdém, mas logo se voltam para a atividade que inconvenientemente ousei interromper. Na maior parte do tempo, parecem estar sentados ou deitados esperando a vida passar, mas, na verdade, estão ali só para nos deixar admirá-los.

Foto: “No. 101 de cem famosas vistas de Edo” (1857), de Utagawa Hiroshige

Uma conversa no ônibus

Voltando a usar o transporte público depois de quase uma década me deslocando de carro, percebi que as pessoas escutam mais, mas ouvem cada vez menos.

Embarquei no ônibus de volta para casa depois de um dia de trabalho e me sentei próximo à porta, no único assento que ainda estava livre, ao lado de uma senhora que olhava a paisagem. O pedido de licença para ocupar o lugar foi a deixa que ela esperava (ou a desculpa, não sei) para começar a falar. Contou por que pegava aquela linha, para onde ia e em que lugar morava. Falou da filha, do genro e também de um vereador a quem pediu ajuda para o transporte e que não a ajudou. Pediu até opinião sobre o que deveria fazer em relação a determinados acontecimentos da vida.

No início, dei pouca importância, acreditando que logo pararia. Depois, mesmo sem saber de quem falava ou do contexto das histórias contadas, ouvi tudo com a atenção que ela procurava (ou precisava). Respondi, sempre que solicitado, às perguntas feitas, embora nem sempre soubesse o que dizer. E o diálogo seguiu ditado pelo ritmo da fala dela, com os temas que ela escolheu abordar. Por vezes, desabafou sobre as dificuldades pelas quais passava.

Deveríamos ser os únicos a conversar em todo o ônibus. E isso me fez lembrar dos tempos de faculdade, há quase dez anos. Naquela época, embora há houvesse tocadores de música portáteis, os hoje já obsoletos mp3, seu uso ainda não estava tão popularizado. Pode parecer difícil de acreditar, mas era raro ver pessoas usando fones de ouvido, alheias à realidade circundante. Mesmo às seis da manhã, era possível ouvir as vozes de estudantes sonolentos e de quem ia logo cedo ao trabalho. Quem não dormia (uma impossibilidade para muita gente que ia em pé) falava sobre o tempo, o trânsito, o capítulo da novela, o jogo de futebol, a política… Tudo era pauta. Com a intimidade conferida pelas muitas horas compartilhadas em um ônibus lotado, também se conversava sobre a própria vida.

Durante os quatro anos da graduação foi assim. Para cumprir o trajeto de cerca de 25 quilômetros, que durava em média uma hora, pegava sempre a mesma linha e, na maioria das vezes, com o mesmo motorista. Conhecia os condutores pelo nome e muitos dos passageiros pelas histórias que contavam. Todo um universo circunscrito a um trajeto e a um horário específicos, que virou lembrança após o fim da faculdade e a chegada do carro, coincidentemente no mesmo período.

Quase uma década depois, os ônibus voltaram a fazer parte da minha rotina, agora em outro trajeto, menor e mais rápido. Mas não foi só isso que mudou após tanto tempo. Os sons também estão muito diferentes. Os fones de ouvido, que há dez anos eram bem poucos, estão por toda parte, fechando os passageiros em seus mundinhos particulares. Conversas são raras e, quando ocorrem, surpreendem. Até nos chegam uma ou outra frase dirigida ao motorista e alguns decibéis da música que escapam aos fones, mas raramente as vozes humanas. Paradoxalmente, estamos escutando mais, mas ouvimos cada vez menos.

Foto: ‘Passenger (Green Coat)’, de Oliver Bevan

Desculpe-me o signo

Sempre ignorei completamente informações envolvendo signos, mas eles são tão levados a sério no Brasil que resolvi me render e até fazer meu mapa astral.

Não sei por que razão, mas em algum momento daquela tarde eu me tornei o tema central da conversa entre colegas de trabalho. Falavam das qualidades (ou seriam defeitos?) da minha personalidade. Tentavam entender por que eu era como sou. E, no Brasil mais do que em outros países, por algum motivo tão inexplicável quanto astrológico, a compreensão da alma humana passa necessariamente pelo signo zodiacal sob o qual a pessoa nasceu.

Para mim, o assunto sempre foi pouco relevante. Racionalmente, tenho dificuldades de acreditar que o jeito de ser de alguém é determinado ou influenciado por astros tão distantes, orbitando sem pressa um sol gigantesco que certamente ignora por completo a nossa insignificante existência na Terra. Meu conhecimento mais próximo e afetivo em torno desta temática se baseia no desenho animado japonês que marcou a infância da minha geração. Foi com ‘Cavaleiros do zodíaco’ que aprendi a ordem dos signos. E, passados tantos anos, a memória já me falha e por vezes esqueço alguns.

Mas minhas amigas de redação levam a questão muito a sério e me perguntaram, não sem antes tentar adivinhar, qual é o meu signo. Respondi, e mesmo aquelas que sabiam a data em que nasci ficaram surpresas com a resposta. Disseram que era impossível, que nenhum traço da minha personalidade correspondia. Logo perguntaram pelo ascendente, que – obviamente – eu não sabia. Sem se dar por vencida, uma delas resolveu consultar meu mapa astral na internet.

Mais minucioso que revista da alfândega em passageiros que vêm dos Estados Unidos, o site pedia informações detalhadas. Não bastavam o dia, mês e hora do nascimento; era preciso preencher também o nome completo, a hora e a cidade onde foi realizado o parto. Acredito que foi por muito pouco que não quiseram também o número do cartão de crédito e o código de segurança que vem gravado no verso.

As suspeitas que minhas colegas tinham se confirmaram: o problema não estava no signo, e sim no ascendente, na lua e no sol em algum dos planetas que já não me lembro mais qual é (até porque nem sei mais se Plutão continua sendo ou não um planeta, e olha que isso é um dado científico). A palavra mais simpática que elas usaram para descrever a minha personalidade depois de terem visto meu mapa astral foi “difícil”.

Achei toda a experiência muito curiosa. Por um lado, fiquei realmente espantado de ver como os signos são levados a sério. Por outro, essa história me despertou uma ótima ideia. Se as pessoas acreditam de verdade que quem somos é reflexo de uma conjunção de fatores celestiais, resolvi – daqui por diante – me valer do meu mapa astral. Queiram me perdoar por ser alguém horrível, é que eu sou escorpião com ascendente em áries.

Foto: reprodução/internet

Uma ida ao Jô

Em uma época em que o sucesso se media por aparições na TV, fui convidado para a primeira entrevista da carreira após o lançamento do meu livro de estreia.

Por muitos anos, décadas até, o nível de sucesso de uma pessoa não se media por curtidas ou compartilhamentos. As redes sociais nem existiam. E o contato era quase todo interpessoal. No máximo, o fio do telefone fazia a mediação entre as duas pontas. Ou assistíamos pela televisão alguém bem-sucedido; invariavelmente, no programa do Jô. Era por lá que passavam todas as celebridades, as figuras públicas de grande relevância no cenário nacional e os personagens mais curiosos do país.

Até hoje não sei dizer em qual destas categorias me encaixava quando o telefone tocou. Era alguém da produção querendo que eu participasse de uma edição do programa. Quase desliguei, parecia trote. Felizmente, não era. O convite era real, e praticamente toda minha biografia e carreira já haviam sido apurados e confirmados com fontes confiáveis (um feito e tanto para alguém como eu, que mal deixara o status de ilustre desconhecido).

Depois de muito tempo – e paciência do produtor, que se empenhou bastante para me convencer -, aceitei. Foi então que me passaram toda a dinâmica da minha participação. Um carro me buscaria em casa e me levaria ao aeroporto, onde embarcaria por volta das quatro da tarde rumo a São Paulo, de onde o programa era apresentado. Uma vez em solo paulistano, seria conduzido ao hotel para que me aprontasse. Às oito da noite, um outro carro da produção estaria me esperando.

Sem atrasos, segui todo o ritual previsto, apesar da chuva fina que insistia em cair tanto no Rio quanto em São Paulo. Por volta de oito e meia da noite, já estava no camarim à espera do momento de gravar minha participação. À minha disposição, uma mesa farta com opções de frutas, pães, bolos e outros doces, todos aparentemente deliciosos. Exceto por alguns pães de queijo – que estavam realmente apetitosos – e de uma xícara de café, consegui resistir a uma eventual farra gastronômica.

O café já ia pela metade quando a porta se abriu. Virei de frente para ela, acreditando que era chegada a hora de um produtor me buscar. Foi quando entrou por ali Tony Ramos. Gelei. Um dos maiores atores do país participaria da mesma edição do programa que eu, o que significava que teria pouquíssimo tempo de conversa ou – pior – seria completamente apagado por aquela presença. Elegante e gentilmente, e como se fosse necessário, ele se apresentou. Prazer, Tony Ramos, disse sorrindo e estendendo a mão direita. Pousei a xícara na mesa, estendi também a mão direita e o cumprimentei. Quando comecei a dizer meu nome, ainda antes que acabasse, ele completou. Pedro Rabello, li seu livro. Congelou-me no rosto um sorriso.

Sem esforço e afetuoso como um amigo de longa data, contou suas impressões do que havia lido. Debatemos, nos minutos que se seguiram, as ideias contidas no livro que motivaria em instantes minha entrevista com Jô. Se meu espanto era visível, a elegância de Tony lhe tolheu de sublinhar. Falava com entusiasmo e carinho tão grandes que me fez esquecer o nervosismo da estreia na televisão.

Já passava das dez da noite quando uma produtora entrou no camarim. Tinha vindo me buscar e explicar que, embora gravassem primeiro comigo, a ordem de exibição seria outra. Abririam aquela edição, claro, com o convidado mais ilustre. Senti o coração acelerar, as pernas vacilarem e a respiração encurtar. Tentei disfarçar tudo enquanto entrava no estúdio sob aplausos da plateia, após ter sido apresentado.

Calculei com cuidado o espaço que ocuparia no sofá. Sentei-me, a perna direita cruzada sobre a esquerda e as mãos entrelaçadas sobre os joelhos. Jô Soares começava a primeira pergunta quando um som insistente invadiu o estúdio. Olhei no entorno, tentando localizar sua origem. Parecia, como se confirmou depois, vir do meu lado direito. Fechei os olhos, tentando ignorar o barulho. Quando tornei a abri-los, não havia mais nada. Nem Jô, nem estúdio, nem plateia, nem Tony, nem São Paulo. Apenas um despertador impaciente, incapaz de esperar pelo beijo do gordo.

Foto: Memória Globo/divulgação