Epidemia de doces

Se você frequenta alguma rede social, certamente percebeu que muita gente resolveu fazer pão. Não faço ideia de onde veio essa onda, mas não fui arrebatado por ela. Em geral, pães caseiros costumam me dar azia, creio eu que pelo fato de os fornos domésticos não atingirem temperaturas tão altas quanto os profissionais ou industriais. Por esse motivo, prefiro evitar. As massas às quais me dediquei com afinco durante a pandemia foram outras: bolos.

Limão, laranja, chocolate, baunilha, café… No início, um nem bem chegava ao fim e eu já fazia outro. Depois de alguns meses, contas de gás um pouco mais caras e uma sensação de ganho de peso, nada tão preocupante e sem confirmação da balança, decidi moderar. Optei por um tabuleiro menor, com metade do tamanho do anterior, mas o suficiente para que o bolo durasse o fim de semana inteiro. E ter fatias para dois ou três dias já estava de bom tamanho; nada mais de emendar uma receita na outra.

O doce, porém, continuou presente no café da manhã ou no chá da tarde: queijo com geleia. Antes que você pergunte, não, eu ainda não me atrevi a fazer geleia em casa. Encontrei receitas realmente muito simples e tentadoras, mas esbarrei na preguiça de ter que esterilizar os potes, a parte mais trabalhosa de todo o processo. Não farei propaganda gratuita aqui, mas – muitas degustações depois – encontrei uma marca que atende muito satisfatoriamente os requisitos de sabor e preço.

Além dos bolos e da geleia, outra perdição em tempos de pandemia foi o chocolate. Era um hábito diário terminar o jantar e apelar para a sobremesa, tentando responder com bastante açúcar as inúmeras dúvidas suscitadas por um vírus desconhecido. Para isso, muito contribuiu um mercado próximo, que tem uma seção bastante variada de chocolates importados. São tantas opções, de países tão diversos, que ainda não dei conta de provar todas. Em parte, também, porque o hábito da sobremesa diária foi restringido ao fim de semana.

Olhando em retrospecto esses oito meses de pandemia, percebi que não foram os pães, os exercícios em casa ou as maratonas de séries as grandes sensações aqui em casa. Foram, claramente, os doces, ainda que com poucas variações, indo apenas do bolo ao chocolate, passando pela geleia. No início, em abundância, como uma recompensa por mais um dia de confinamento. Agora, com moderação, uma dose homeopática de doçura em meio a tantas notícias amargas.

Foto: ‘Chocolate’ (2000), de Lasse Hallström

6 comentários sobre “Epidemia de doces

  1. Sabe que o segredo para pães mais leves e que não dão azia está na longa fermentação, principalmente se você usar fermento natural. Em geral, a azia ocorre porque o fermento tem um tempo necessário para completar todo o seu processo de fermentação, como esse tempo é longo as pessoas esperam somente o tempo da massa “crescer” e aí o resto da fermentação ocorre dentro de você…
    Pães caseiros feitos de maneira correta e que respeitem o tempo de fermentação ficam bem mais leves que os comprados (porque estes também não respeitam todo o tempo necessário).
    Só que aí precisa de paciência para fazer rs.
    Mas confesso que curto mais bolos e doces também. Não sei explicar, mas por alguma razão esses momentos na cozinha nos trazem algum tipo de conforto nesses tempos. Acho curioso…

  2. Te garanto que minha glicose aumentou bem nessa quarentena kkkkkkk embora faça exercícios em casa.
    Passei de doses homeopáticas de doçura para imensas diversificadas p abrandar a raiva…rsrs
    Abç

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