‘Nem que a vaca tussa’

O início dos anos 2000 foi bem difícil para a Disney, em que o estúdio enfrentou a concorrência pesada da Pixar, que lançou animações como ‘Monstros S.A.’ (2001), ‘Os incríveis’ (2004) e ‘Carros’ (2006), obras com roteiro e estética muito mais interessantes que ‘A nova onda do imperador’ (2000), ‘Atlantis: o reino perdido’ (2001) e ‘Leitão: o filme’ (2003), da Disney. A única exceção é ‘Lilo & Stitch’ (2002). Até que, em 2006, a Disney comprou a Pixar e recuperou a qualidade com ‘Ratatouille’ (2007), ‘Wall-e’ (2008) e ‘Up: altas aventuras’ (2009).

Foi no período de vacas magras (com trocadilho, por favor) que a Disney lançou, em 2004, ‘Nem que a vaca tussa’ (‘Home on the range’, no original). Escrito e dirigido por Will Finn e John Sanford, o filme conta o périplo de três vacas – Maggie, Grace e senhora Caloway – para salvar a fazenda onde vivem de ir a leilão por causa das dívidas acumuladas. Para isso, elas vão precisar capturar um bandido perigoso, Alameda Slim. Ele é capaz de hipnotizar o gado para roubar o rebanho, revendê-lo e, depois, comprar as fazendas cuja falência ele mesmo provocou.

Com orçamento de US$ 110 milhões, a animação fez pouco mais de US$ 145 milhões em bilheteria no mundo todo, cifra que cobre os custos de produção, mas que está bem aquém das expectativas. Não é por acaso. O roteiro é extremamente previsível e nem mesmo a trilha sonora – uma das especialidades da Disney – escapa do óbvio. Os números musicais inseridos na trama são decepcionantes e não há canção capaz de grudar na memória do espectador.

Mas há dois pontos positivos que podem ser destacados no longa-metragem, que dura cerca de uma hora e quinze minutos e está disponível no catálogo da Netflix. No entanto, ambos dizem respeito ao trabalho feito posteriormente no Brasil. O primeiro deles é a tradução dos diálogos, que consegue encaixar com graça expressões populares brasileiras, como “a vaca foi para o brejo”. O segundo é a dublagem, uma especialidade nossa, que reúne nomes de peso, como Fernanda Montenegro, Claudia Rodrigues e Isabela Garcia, que dão vida às protagonistas. Ainda assim, é pouco para salvar o filme.

Imagem: Disney/divulgação

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