‘Perdi meu corpo’

Quem disse que animação tem que ser feita para o público infantil e que adultos não podem gostar? Há muito tempo, a ideia de que o gênero era dedicado exclusivamente às crianças já foi superada. É claro que a grande maioria é voltada aos espectadores mais novos, mas os mais velhos têm sempre de ser considerados. Afinal, são eles que levam os pequenos aos cinemas. E também querem – e merecem – se divertir. Por isso, as produções trazem diversas camadas de significados, a serem compreendidas segundo a faixa etária.

Mas pode uma animação ser feita para adultos? Óbvio! E elas não precisam se limitar a nenhum subgênero, como super-heróis ou erotismo. Prova disso é ‘Perdi meu corpo’, fantasia dramática francesa dirigida por Jérémy Clapin que estreou em 2019, foi indicada ao Oscar de melhor animação e está disponível no catálogo da Netflix. O filme conta a história de uma mão decepada que parte em busca do restante do corpo.

A sinopse parece um tanto macabra, mas o roteiro escrito por Clapin em parceria com Guillaume Laurant (autor do livro ‘Happy hand’, no qual a obra é inspirada, e do já clássico ‘O fabuloso destino de Amélie Poulain’) é mais melancólico do que sombrio. São 81 minutos de uma produção esteticamente caprichada que se divide em duas temporalidades: o presente, representada pela jornada da mão solitária, e o passado, que nos conta a quem ela pertence.

Quando criança, Naoufel sonhava ser pianista, por influência dos pais musicistas, e astronauta. A realidade, porém, se impôs. Um dia, na volta de um concerto, já tarde da noite, a família sofreu um acidente de carro e Naoufel ficou órfão. Ele passa a viver com um tio e um primo, em um ambiente sem qualquer afeto, e – anos depois – se torna entregador de pizza. Em uma de suas entregas, acaba se apaixonando pela bibliotecária Gabrielle e faz de tudo para conquistá-la.

Além de tratarem da mesma pessoa, embora a mão possa ser considerada uma personagem independente, as duas histórias se complementam na busca por pertencimento. Enquanto a mão deseja voltar a fazer parte do corpo, Naoufel procura em Gabrielle o afeto que lhe foi subitamente tirado pela tragédia familiar. Ainda que soe triste, ‘Perdi meu corpo’ oferece uma reflexão sobre a importância de se sentir completo e de encontrar o seu lugar no mundo.

Imagem: divulgação

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