‘Máfia dos tigres’

Estima-se que apenas quatro mil tigres vivam em seus habitats naturais em todo o mundo. Este número quase triplica se forem considerados os que se tornaram propriedade particular. Um dos maiores – e mais excêntricos – proprietários é Joseph Allen Schreibvogel, que chegou a ter mais de duzentos grandes felinos em seu zoológico particular em Oklahoma, nos Estados Unidos. Em suas apresentações, ele atribui para si dois apelidos: Joe Exotic e “Tiger King”, alcunha que batiza o título original da minissérie documental ‘Máfia dos tigres’, disponível na Netflix.

Todas as facetas de Joe Exotic são exploradas em sete episódios de cerca de 45 minutos cada, indo do aparente showman dono de um zoológico bem-sucedido à derrocada, quando foi preso por contratar um assassino de aluguel para matar a ativista dos direitos dos animais e dona de um santuário de grandes felinos Carole Baskin, que se dedica a tentar fechar zoológicos particulares e impedir a exploração comercial dos tigres.

O apelido de exótico cai como uma luva ao protagonista. Ostentando inúmeros piercings, um penteado para lá de esquisito, camisas escandalosas e calças jeans que parecem embalá-lo a vácuo, Joe é uma figura ao qual o espectador não consegue parar de prestar atenção. Extremamente egocêntrico, ele junta em torno de seu zoológico funcionários com históricos de problemas com a justiça que os cultuam como uma espécie de líder de uma seita. O mesmo vale para os três maridos que teve, sendo dois ao mesmo tempo, e todos muito mais jovens. O ego exageradamente inflado o levou bem além de tentar protagonizar o próprio reality show e se tornar um cantor de música country: ele se lançou candidato à presidência dos Estados Unidos e ao governo de Oklahoma.

Nenhum outro personagem da série (que é documental, vale reforçar) é tão excêntrico quanto Joe, mas todos parecem saídos da franquia ‘Se beber, não case’. Há ex-traficantes com cara de mau, donos de boates de strip-tease, uma ativista de direitos dos animais cujos móveis da casa e as roupas são todas com estampas de pele e – claro – muita gente acariciando e beijando tigres como se fossem gatos domésticos.

O que mais chama a atenção em ‘Máfia dos tigres’ (uma tradução ruim para ‘Tiger king’, já que não há qualquer cumplicidade entre os “mafiosos”) é o livre acesso que os diretores Eric Goode e Rebecca Chaiklin tiveram à história e aos envolvidos, que falam abertamente sobre praticamente todos os assuntos abordados, incluindo a prática de crimes como o tráfico de animais selvagens e a contratação de assassinos de aluguel. E tudo é recontado com um farto material de arquivo, gravações da vida íntima e do trabalho do protagonista. Se não funciona como um chamado à importância de lutar pela preservação dos animais, embora o tema perpasse toda a série, ‘Máfia dos tigres’ cumpre o propósito de contar uma boa (e quase inacreditável) história real. E faz isso enquanto entretém, o que não é pouco para uma produção documental.

Foto: Netflix/divulgação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s